O Poder das Evidências

O pensador crítico é aquele que tem especial prediletação por evidências.
Durante uma argumentação, é preciso ter em mente o poder e a relevância das evidências que estão sendo usadas em suporte a uma alegação.

Qualidade e força das evidências

Não basta simplesmente disponibilizar em suporte a um argumento. É preciso também verificar de que forma elas são fortes, aceitáveis e relevantes para o caso em questão. O próximo exemplo irá mostrar, de um modo bastante simples, duas formas de suportar um argumento em que a qualidade das evidências fará uma diferença. Um grupo de alunos foi à diretoria de sua escola levar uma reclamação:

"Sr. Diretor, nós estamos aqui representando nossa classe para solicitar do senhor a anulação da prova que fizemos na semana passada. Achamos que ela foi injusta e não é possível que uma prova injusta possa ser usada para aferir nossa nota no curso"

Os alunos, com essa reclamação, estão propondo o seguinte argumento:

Toda prova injusta deve ser anulada
Aprova da semana passada foi injusta
Prtanto, a prova da semana passada foi injusta

evidencias

O primeiro passo é fazê-lo concordar com o formato lógico do argumentador como exposto acima.Em outras palavras, esse argumento é válido? Lembre-se de que um argumento pode ser considerado válido mesmo que se discuta a veracidade ou não de suas premissas. O que se faz nessa horaé assumir as premissas temporariamente como verdadeiras e investigar se a conclusão delas decorre. Se decorrer, então o argumento é válido. Se não decorrer, então, temos que trocar de argumento. No caso acima o argumento é,realmente, válido.
Segundo pass, supondo-se que o diretor concorde que o argumento é válido, deve se preocupar com a avaliação das premissas. São essas premissas aceitáveis? Se forem, então fim da história, o argumento é válido e íntegro.Mas e se as premissas forem discutíveis? O diretor poderá reclamar que não concorda que a prova da semana passada tenha sido realmente injusta. O diretor está questionando uma das premissas.
Nossa tarefa, agora, é providenciar suporte para a premissa que está sendo questionada. Como assegurar que a prova foi realmente injusta?

Primeira tentativa

Os alunos fazem um abaixo-assinado onde todos os alunos dão a sua opinião. Mas de 90% dos alunos dizem que a prova foi injusta. Ora, com uma pesquisa como essa, o diretor poderia reconsiderar sua aceitação da premissa e anular a prova. Mas o que fazer se ele também contestar isso? Ele poderia dizer que a maioria dos alunos adquela classe é constituída de maus elementos que responderam à pesquisa só para terem uma outra chance de fazer a prova. Se essa tentativa não é muito boa, que podemos fazer?

Segunda tentativa

É hora de armarmos uma cilada para o diretor. Antes de qualquer outra coisa, vamos propor ao diretor um outro argumento:

a- Provas com questões de matérias não comunicadas antecipadamente são injustas
b- A prova da semana passada teve questões sober matérias não avisadas antecipadamente
Portanto, a prova da semana passada foi injusta

Precisamos fazer com que o diretor reconheça este argumento como válido. Isso não é muito difícil, basta lembrar que se assumirmos temporariamente as premissas como verdadeiras, podemos facilmente verificar a sua implicação lógica. Além disso, é necessário obter a aceitação da premissa (a). Para isso, umaforte evidência seria algo como o próprio estatuto escolar ou algum documento oficial que desse assunto, distribuíndo no início do curso. Pronto, obtido esse documento, resta-nos providenciar suporte para a premissa (b). Esta é a hora de entrarmoss com uma evidência forte e incontestável: uma cópia do documento expedido pelo professor informando da prova que foi feita da semana passada. Sublinha-se, nessa prova, as questões que versam sobre matérias que não constam do aviso expedido pelo professor. Prova forte de que o argumento acima é válido e íntegro, ou seja, sua conclusão é verdaderia ("A prova da semana passada foi foi injusta").
O caminho das contestações possíveis que o oponente poderia fazer para cada premissa que propomos e explorar antecipadamente todas as alternativas que pudermos - ou pelo menos as mais relevantes - para planejar com calma as nossas defesas e suportes. Outro ponto importante, além do planejamento prévio, é também avaliar com rigor a qualidae e a eficácia das evidências que temos nas mão.

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